Árvores e Flores, de Fátima Carvalho
Pela primeira vez, as séries “Árvores Vigilantes do Tempo” e “Flores e Frutos”, da fotógrafa Fátima Carvalho, são apresentadas em conjunto. Em ambas, a câmara detém-se perante aquilo que vive e se transforma: árvores antigas, flores e frutos. Ao registar motivos naturais, a fotógrafa procura tornar sensível a duração própria de cada um deles.
“Árvores Vigilantes do Tempo” tem como ponto de partida o carvalho de Salto, em Montalegre, terra natal da artista. A série estende-se a oliveiras, azinheiras e alfarrobeiras centenárias ou milenares, fotografadas em vários pontos do país como verdadeiros monumentos à longevidade. Entre elas está a Oliveira do Mouchão, uma árvore com mais de três mil anos.
As fotografias a preto e branco são impressas em papel ou linho artesanal, suportes que dão textura às imagens e definem contornos e sombras. Algumas receberam a intervenção do pintor Fernando Marques de Oliveira, que lhes acrescenta camadas de cor, dando origem a telas a quatro mãos que cruzam o olhar de dois criadores e amigos. A série é acompanhada por textos de Rosa Alice Branco, Maria do Carmo Serén e José Manuel Mendes.
Em “Flores e Frutos”, a fotógrafa prossegue a investigação sobre a passagem do tempo com imagens de flores e frutos captados em fases distintas, da abertura à maturação, expostos ao ar, à luz e à humidade que os transformam diante da câmara. As imagens contrapõem frescura e decadência. Fátima Carvalho regressa aos mesmos motivos em diferentes estados e sob diferentes condições, atenta ao instante e à espera do que virá depois. Algumas imagens foram bordadas, acrescentando uma camada de trabalho manual que remete para os saberes tradicionais que a artista valoriza.
Uma exposição da Fundação D. Luís I, com o apoio da Câmara Municipal de Cascais, patente no piso 0 do Centro Cultural de Cascais.
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Nascida em Salto, Montalegre, e intimamente ligada ao meio artístico do Porto, Fátima Carvalho começou a fotografar na década de 1990.
Na sua obra, a câmara detém-se perante aquilo que vive e se transforma. Há sempre uma dimensão poética nas suas fotografias, que atravessa também Manhã Total, livro de homenagem a Eugénio de Andrade, de quem foi amiga.
Local: Centro Cultural de Cascais, piso 0
Horário: terça a domingo, 10h00 - 18h00 (última entrada às 17h40)
Organização: Fundação D. Luís I, com o apoio da Câmara Municipal de Cascais
Contactos: 214 815 660 | geral@fdl.pt
