Cinema Cascais - ciclo documentário
Documentário
Se o cinema se assumiu desde o começo como a arte da ilusão, o documentário será o género que mais parece procurar refutar essa constatação. E dizemos “parece” porque, de facto, uma suposta “pureza original” documental nunca existiu, nem sequer quando se ouviu o tiro de partida dado pelas “atualidades” dos irmãos Lumière, já que o simples ato de apontar uma câmara implica de imediato um ponto de vista e uma consequente tomada de posição.
Dito de outro modo, a tão propalada oposição entre a realidade e a sua recriação, entre objectividade e subjectividade ou “verdade” e “mentira” é, no fundo, uma visão simplista e redutora: tal como o cinema dito “ficcional” contém em si mesmo o “documento” da sua própria feitura e do seu contexto temporal, também o documentário se abre a uma pluralidade de formas, das “sinfonias urbanas” da década de 1920 à luz de outras vanguardas artísticas (Manhatta, de Charles Sheeler e Paul Strand, Berlin, de Walter Ruttmann, ou o incontornável O Homem da Câmara de Filmar, de Diza Vertov) aos filmes de propaganda política dos anos 1930 (por vezes, aliada a um genuíno lirismo poético, como nos casos do cinema de Leni Riefenstahl ou das produções New Deal assinadas por gente da estirpe de Pare Lorentz ou Leo Hurwitz), dos “épicos” de cineastas-investigadores-detectives como Errol Morris e Michael Moore às “ficções do real” actualmente tão em voga um pouco por toda a parte.
São apenas alguns exemplos, mas servem para atestar a vitalidade de um género que tem sabido questionar e ao mesmo tempo esticar os limites do cinema.
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Organização: Fundação D. Luís I, com o apoio da Câmara Municipal de Cascais
