"Do silêncio ao tempo", conferência por Maria Mota
A Casa Reynaldo dos Santos e Irene Quilhó dos Santos, na Parede, recebe a conferência "Do Silêncio ao Tempo", pela investigadora Maria Mota no âmbito do ciclo de conferências "Ver o Não Visto", dedicado a Maria de Sousa.
Por Maria Mota:
Durante muito tempo, a fase hepática da infeção por Plasmodium foi considerada uma etapa silenciosa: o parasita chega ao fígado, multiplica-se durante alguns dias sem provocar sintomas e só depois, ao invadir os glóbulos vermelhos, começa aquilo a que chamamos malária. Quando comecei a estudar esta fase da infeção, há mais de duas décadas, uma das perguntas que nos acompanhava era precisamente se esse silêncio seria real.
Ao longo dos anos fomos descobrindo que não é. O fígado reconhece a presença do parasita, desencadeia respostas imunitárias e envia sinais cujas consequências podem persistir muito para além dessa primeira fase da infeção. Mostrámos recentemente que acontecimentos iniciados no fígado podem mesmo alterar a produção e a idade dos eritrócitos que o parasita encontrará mais tarde no sangue e, dessa forma, contribuir para determinar a evolução da doença. O espaço onde uma interação acontece e o tempo em que acontece tornam-se, assim, parte da própria biologia da infeção.
Esta será também uma palestra sobre outro tipo de percurso. O meu começou, em grande medida, quando Maria de Sousa me escolheu para fazer parte do Mestrado em Imunologia que criou no Porto. Dessa escolha nasceram Mill Hill, Nova Iorque e uma vida dedicada à ciência. Maria de Sousa ensinou várias gerações de cientistas a fazer perguntas antes de existirem caminhos para encontrar as respostas. Esta é a história de algumas das perguntas que eu tive a sorte de poder fazer.
Informações: 214 815 920 (chamada para rede fixa nacional)
Organização: Câmara Municipal de Cascais
Maria Manuel Mota é uma bióloga de destaque, com doutoramento em Parasitologia pela University College London e experiência de pós-doutoramento na Faculdade de Medicina da Universidade de Nova Iorque (NYU). Liderou grupos de investigação no Instituto Gulbenkian de Ciência e no Instituto de Medicina Molecular (iMM), onde também desempenhou as funções de Diretora Executiva. Recentemente, foi nomeada CEO do Gulbenkian Institute for Molecular Medicine (GIMM), uma nova instituição criada a partir da fusão do iMM com o Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC).
Maria Mota contribuiu significativamente para o avanço do conhecimento sobre os parasitas do género Plasmodium, tendo recebido prémios de prestígio como o EMBO Young Investigator Award e o Sanofi – Institut Pasteur Award. Publicou mais de 140 artigos, detém cinco patentes e foi convidada para proferir palestras em mais de 100 conferências internacionais e instituições de investigação de renome em todo o mundo.
