Cinema Cascais - Ciclo de Terror
O Cinema Cascais dedica o mês de outubro ao terror, com um ciclo de quatro clássicos que marcaram a história do género, exibidos no Auditório do Centro Cultural de Cascais.
Com o seu jogo entre luz e sombras, a matéria de que é feito o próprio cinema, o terror possui propriedades fílmicas como nenhum outro género. Herdeiro de uma ilustre linhagem literária, mas também do folclore e de superstições várias, atingiu bem cedo os píncaros, ainda no tempo do mudo, com obras como O Gabinete do Doutor Caligari, Golem ou Nosferatu, cujas lições foram assimiladas em Hollywood pelos filmes de monstros da Universal dos anos 1930. Desde então, o terror espraiou-se em muitas direções: do barroquismo da britânica Hammer ao gore, do J-horror japonês ao "cinema extremo" francês. Uma coisa, porém, manteve-se inalterada: o género sempre foi um território de absoluta liberdade, aberto a todo o tipo de comentário social, filosófico ou antropológico. É uma tela em branco onde cada um pode projetar os seus medos, inquietações e fantasmas.
O ciclo arranca a 5 de outubro com Frankenstein (1931), de James Whale, que fixou o modelo do filme de monstros, e prossegue a 12 de outubro com Psico (1960), de Alfred Hitchcock. A 19 de outubro há duas sessões. A primeira exibe A Vítima do Medo (1960), de Michael Powell, "irmão" de Psico e outro pai fundador do terror moderno. A segunda exibe A Noite dos Mortos-Vivos (1968), de George A. Romero, que reescreveu as regras do género. A entrada é gratuita.
Uma organização da Fundação D. Luís I, com o apoio da Câmara Municipal de Cascais.
Frankenstein
21h00 | Auditório do Centro Cultural de Cascais
(1931) Realização: James Whale | Intérpretes: Boris Karloff, Colin Clive, Mae Clarke, John Boles, Dwight Frye, Edward Van Sloan, Frederick Kerr, Lionel Barrymore, etc. | 70 minutos | Legendado em português
Adaptação de uma peça teatral baseada no romance homónimo de Mary Shelley, Frankenstein instituiu, a par do Dracula de Tod Browning, estreado no mesmo ano, o modelo do horror movie. Deu também origem à "parada de monstros" que tanta glória trouxe à Universal.
Um dos apogeus da arte de James Whale, o filme fez de Boris Karloff uma estrela instantânea no papel, assustador e tocante, da criatura. Os efeitos de maquilhagem de Jack Pierce continuam hoje fantásticos. O filme inventou ainda arquétipos como o cientista louco e o seu assistente corcunda. É uma obra visualmente sumptuosa, atravessada por um humor negro que se tornaria ainda mais evidente na sequela, Bride of Frankenstein.
Psico/Psycho
21h00 | Auditório do Centro Cultural de Cascais
(1960) Realização: Alfred Hitchcock | Intérpretes: Anthony Perkins, Janet Leigh, Vera Miles, John Gavin, Martin Balsam, John McIntire, etc. | 109 minutos | Legendado em português
Produzido e financiado pelo próprio Hitchcock, que o rodou de forma rápida e barata com a equipa da sua série Alfred Hitchcock Apresenta, Psycho é um título mítico. É um brilhante exercício de manipulação do espectador, do primeiro ao último plano, desde a antológica "cena do chuveiro" até ao twist final. Transpondo a tradição gótica para um contexto mundano, o icónico Bates Motel, o filme lança as bases do terror moderno e antecipa a vaga de slashers que se seguiria. Junta as interpretações superlativas de Anthony Perkins e Janet Leigh à banda sonora sublime de Bernard Herrmann.
A Vítima do Medo/Peeping Tom
18h00 | Auditório do Centro Cultural de Cascais
(1960) Realização: Michael Powell | Intérpretes: Karlheinz Böhm (creditado como Carl Boehm), Moira Shearer, Anna Massey, Maxine Audley, Michael Powell, etc. | 101 minutos | Sem legendas
Estreado dois meses antes de Psycho, o filme acompanha um aspirante a cineasta que filma as mulheres que mata na tentativa de captar o próprio medo. É o outro pai fundador do terror moderno e leva ainda mais longe a equivalência entre voyeurismo e cinema. O projeto arrojado praticamente destruiu a carreira de Michael Powell. Foi preciso o empenho de um fã incondicional, Martin Scorsese, para que o filme fosse reabilitado.
A Noite dos Mortos-Vivos/Night of the Living Dead
21h00 | Auditório do Centro Cultural de Cascais
(1968) Realização: George A. Romero | Intérpretes: Duane Jones, Judith O'Dea, Marilyn Eastman, Karl Hardman, Judith Ridley, Keith Wayne, etc. | 96 minutos | Legendado em português
Produção independente feita com muito pouco dinheiro, Night of the Living Dead reescreveu as regras do terror. Escolheu um ator negro para o papel principal e terminou com um final cínico e apocalíptico. O preto e branco granuloso, quase documental, refletia uma América em convulsão. Com este filme, Romero tornou os zombies num espelho do seu tempo e no fenómeno pop que hoje conhecemos.
