Recital - Conferência “Fernando Lopes-Graça nos 120 anos do seu nascimento” e apresentação do livro/cd: “Modernismo e folclore no piano de Fernando Lopes-Graça”
Neste tempo de regressiva desmemória, Miguel Borges Coelho e Daniel Moreira revisitam o piano de Fernando Lopes-Graça, entre o modernismo e a consciência histórica que, nomeadamente através do que designava como “folclore autêntico”, tão frequentemente o alimentou.
Interpretação e comentário articulam-se num recital-conferência organizado em torno de dois ciclos. O primeiro, Oito Bagatelas (1938–1950), constitui um verdadeiro laboratório da linguagem modernista do compositor; Onze Glosas (1950), o segundo, enraíza-a, entre luzes e sombras, na memória das canções populares portuguesas que servem de mote a cada uma das suas onze peças.
O pretexto é o lançamento do livro-CD Modernismo e folclore no piano de Fernando Lopes-Graça, cujo texto toma aqueles dois ciclos como eixo, sem deixar de fazer referência às obras que completam a gravação — Segunda Sonata, Três embalos e Música Festiva nº 18, Para os 18 anos do Miguel Borges Coelho.
- Miguel Borges Coelho - piano
- Ensaios por Daniel Moreira & Miguel Borges Coelho
Entrada livre, sujeita à lotação da sala
Informações e Reservas: 214 815 904 ou mmp@cm-cascais.pt
Organização: Câmara Municipal de Cascais | Apoio: DGARTES
Fernando Lopes-Graça (1906-1994)
Oito Bagatelas (1938–1950)
Onze Glosas (1950) Biografia
Miguel Borges Coelho é Professor de piano na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE) e Investigador Integrado no CEIS20.
Já se apresentou em salas tão prestigiadas como o Rudolfinum(Praga), o Teatro São Carlos e os grandes auditórios do CCB, Gulbenkian, Euskalduna (Bilbau), Kursaal (San Sebastião) e Baluarte (Pamplona), e em festivais como a Festa da Música, Folles Journées (Nantes), Quincena Musical (São Sebastião) e Musika/Música (Bilbau). Foi solista com as orquestras de Câmara de Praga, Gulbenkian, Metropolitana de Lisboa, Sinfónica de Euskadi, e Sinfónica Portuguesa, entre muitas outras. Atua regularmente com Marta Zabaleta, tendo ainda tocado com músicos como Pedro Burmester, Afonso Fesch, Paulo Gaio Lima, Michal Kanka, Asier Polo, Filipe Quaresma, Gerardo Ribeiro, Pedro Ribeiro, António Rosado, António Saiote e os quartetos Capela, de Matosinhos, Prazak, Talich, e Wihan. Fez estreias mundiais de obras de Lopes Graça e de J.Pedro Oliveira. Gravou um CD duplo com obras de J. Peixinho (Numérica) e, em colaboração com M. Kanka ou o Quarteto Prazak, quatro CDs para a editora Praga Digitals, com obras deWeinberg (Choc Disc para a revista “Le Monde de la Musique”), de E. Bloch, de R.Strauss, e A. Tcherepnin.
Iniciou os estudos de piano com Amélia Vilar, prosseguindo a sua formação no Conservatório de Música do Porto com Isabel Rocha. Como bolseiro da Fundação Gulbenkian estudou com V. Margulis na Hochschule fur MusikFreiburg, e com D. Bashkirov e G. Egyazarova na EscuelaSuperior de Música Reina Sofia. É doutorado em Musicologia pela Universidade de Évora. Obteve o 2º Prémio no XIV Concurso Internacional de Música da Cidade do Porto e o Prémio Revelação “Ribeiro da Fonte” do Ministério da Cultura (1998).
Daniel Moreira é compositor e investigador em música. A interdisciplinaridade caracteriza tanto o seu trabalho artístico como académico, com especial foco nas relações entre música e cinema. É doutorado em Composição pelo King’s College London (2017) e mestre em Composição pela ESMAE (2010), tendo estudado com George Benjamin, Fernando Lapa, Dimitris Andrikopoulos e Carlos Guedes. Em 2009, foi Jovem Compositor em Residência na Casa da Música, sendo-lhe regularmente encomendadas novas obras, por instituições como a Casa da Música, Festival Musica Strasbourg, European Concert Hall Organisation, MPMP, Kölner Philarmonie e Batalha Centro de Cinema. A sua obra abarca múltiplos géneros, com especial ênfase na interação entre instrumentos acústicos e eletrónica e em abordagens multidisciplinares no âmbito da música para cinema e televisão, ópera e diferentes géneros de música vocal. Entre as obras mais representativas, destacam-se a ópera Ninguém & Todo-o-Mundo (2018); Isto não é um filme (2020), para orquestra, eletrónica e desenho de luz; Vórtice: para o fim de um tempo (2022), para pequeno ensemble, eletrónica e desenho de luz; música para o filme mudo Os Faroleiros (2022), estreada pelo Quarteto Arditti; A Madrugada (2024), para dois coros, orquestra e eletrónica, sobre poemas de Sophia de Mello Breyner; música para a série televisiva Cortina Vermelha (2023-25); e um projeto em curso, encomendado pelos Drumming GP, com música para quarteto de percussão e eletrónica destinada a acompanhar quatro filmes de animação. É professor adjunto na ESMAE (Politécnico do Porto), onde leciona unidades curriculares de análise, composição e música de cinema, e investigador integrado no CEIS20 (Universidade de Coimbra). A sua investigação académica centra-se na música de cinema, tendo publicado vários artigos sobre as bandas sonoras de Bernard Herrmann em revistas científicas de referência (Music Analysis, 2021; Journal of Film Music, 2022; Music Theory Online, 2025).
